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de São Paulo

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Rosa
Alegria diz que é importante "acender o
farol de milha" em vez de só olhar
competidores |
Lições de gestão -
Novos rumos:
Teorias caminham para a racionalidade
Por Silvia Basilio
Ribeiro
Dentro de algumas décadas, os consumidores poderão
acionar remotamente linhas de produção industrial. Será
possível, então, comandar as máquinas para que
trabalhem com o tipo de material, cor e dimensões
desejados para produzir um item único, personalizado. Será
a era do "sob encomenda em larga escala".
O cenário é traçado pelo futurista Alvin Toffler, 75,
em entrevista à Folha.
"O consumidor poderá apertar um botão em São Paulo
e, virtualmente, ativar uma linha de produção em
Taiwan", ilustra. Progressivo aumento do grau de
personificação do consumo será resultado, segundo
avalia, do que chama de "processo de demassificação",
que corre em sentido oposto à massificação.
A velha máxima da era industrial de que "um tamanho
serve para todos" está caindo por terra, na avaliação
do consultor. E as empresas deverão se preparar para essa
mudança sob o risco de perda de competitividade.
Associada ao mercado do "sob encomenda em larga
escala", está o crescente desenvolvimento da
nanotecnologia, observa o diretor do MBA da Faap
(Faculdade Armando Álvares Penteado), Tharcisio
Bierrenbach, 56. A miniaturização de equipamentos,
continua ele, também transformará a organização dos
departamentos de logística das empresas.
Em curso desde os anos 60, a "demassificação"
nasceu à época em que os computadores começaram a
dividir espaço com os homens nas fábricas. Mesmo com a
tecnologia cada vez ceifando mais postos de trabalho,
Toffler não acredita na total eliminação dos homens das
linhas de produção, mas em forte crescimento da
automatização nas indústrias.
Trabalho em casa
E não é apenas no chão de fábrica que os avanços
tecnológicos modificam a organização do trabalho nas
empresas. Bierrenbach prevê que, no futuro, não serão
poucos os executivos que trabalharão em suas próprias
casas.
Outro tema a ser debatido é a possível
"dessincronização" entre os departamentos em
razão da aceleração das tarefas, proporcionada pela
tecnologia. "Sincronizar as atividades em uma
companhia é mais complexo do que os gestores
pensam", pontua Toffler.
No Brasil, a futurologia, bastante criticada em rodas
universitárias sob a argumentação de ausência de
embasamento científico, já é praticada. A futurista
Rosa Alegria, 46, montou em São Paulo consultoria que se
dedica à análise de tendências. Já passaram por suas mãos
organizações como a Electrolux e o Banco do Brasil.
A partir de um estudo interdisciplinar, ela auxilia
gestores a se prepararem para o futuro. "Não
faço previsões. Esse termo está associado à adivinhação.
Procuro entender como as mudanças estão
acontecendo", explica.
(SBR)
Fonte: Folha
de São Paulo (02/11/2003 - Caderno: Empregos)
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