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Artigo

Curitiba sedia Conferência Internacional sobre Novas Formas de Mensurar Progresso e Prosperidade 
Por Thais Corral

A construção de um futuro sustentável para as novas gerações é um dos grandes desafios do século 21. Central a esse debate que se tornou mais forte depois da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92),  está a visão de que o progresso e a prosperidade das nações não podem ser medidos exclusivamente pelo PIB – Produto Interno Bruto, que leva em conta apenas aspectos econômicos de produção, não considerando o patrimônio ambiental, o capital social e cultural.

A economista e futurista Hazel Henderson tem sido uma das  defensoras dessa mudança de paradigma na economia mundial e vê o Brasil, sob o  Governo Lula,  como um potencial laboratório de implementação dessas propostas.

Inspirados no pensamento de Hazel, que vem com freqüência ao Brasil convidada por empresários e ONGs,   importantes lideranças brasileiras – Instituto Ethos, REDEH, FIEP, Fundação Getúlio Vargas, Ecofuturo, Núcleo de Estudos do Futuro da PUC, IPT,  ISER, ABDL, RITS entre outras -  estão organizando a   ICONS 2003, Conferência Internacional de Indicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.sustentabilidade.org.br), a ser realizada  na cidade de Curitiba de  26 a 28 de outubro.  A conferência tem como foco central a difusão e o debate de  novos modelos  de mensuração e gestão da informação   compatíveis com o desenvolvimento sustentável e o aprofundamento da democracia. Para isso, foram convidados  renomados pensadores,  economistas e estatísticos nacionais e internacionais.

A questão dos novos indicadores que está no cerne da ICONS e será abordada em dois níveis.  No nível macro, está a contabilidade nacional dos países destinada a ser o retrato da produção de riquezas que omite, em função dos mecanismos utilizados, aspectos fundamentais das dinâmicas sociais, ambientais e culturais das sociedades a que se aplicam.

Por exemplo, no Brasil, país marcado por grandes desigualdades sociais, gastos em saúde e educação, deveriam ser contabilizados como investimento e não como despesa, já que disso depende  o futuro do país.  As florestas brasileiras, o nosso reservatório de água doce, o capital social expresso na atuação da sociedade civil, no trabalho gratuito que se dá no âmbito doméstico, deveriam aparecer como ativos e não permanecer invisíveis nas contas nacionais.

A ICONS chamará atenção, através de exemplos concretos, para o fato de que a informação relevante no nível macro, na sua imensa maioria, já existe. A questão é como organizá-la. Há vários esforços já existentes nessa direção. A metodologia Calvert-Henderson (www.calvert-henderson.com),  por exemplo, define um conjunto de novos indicadores para medir riqueza e progresso nos Estados Unidos e Canadá, sobre a base das estatísticas já regularmente produzidas nos países. O Mapa da Exclusão Social, metodologia desenvolvida por Aldaiza Sposati da PUC de São Paulo e os estudos do IPEA, na síntese sobre a situação social do Brasil ,elaborada para o Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil de 1996, se baseiam também em informações que são regularmente produzidas por organismos tais como IBGE, SEADE  e IPEA.

No nível micro está a sociedade organizada, estão os municípios, estão as empresas interagindo em função de novas lógicas de cooperação e responsabilidade social e ambiental.  Isso requer também mecanismos novos para geração e gestão da informação, que permitam ao cidadão entender a interrelação das diferentes variáveis da realidade local em que está inserido.  Nesta linha houve indiscutivelmente fortes avanços no Brasil, em particular em função dos balanços sociais e ambientais, a partir da metodologia desenvolvida pelo IBASE e pelo Instituto Ethos, desdobramento do princípio the right to know adotado nos Estados Unidos, que amplia os direitos de informação da sociedade sobre as empresas.

O debate sobre idéias e lições apreendidas a partir de  experiências que organizaram a informação a partir de abordagens inovadoras  serão apresentadas na ICONS 2003. O ponto alto  será o lançamento do Observatório Brasil cujo objetivo principal é dar continuidade à proposta, alimentando esse  movimento nacional,  criado em torno da geração e gestão  da informação para promover democracia e qualidade de vida.

(*) Thais Corral é jornalista, coordenadora geral da ICONS.

visite: http://www.sustentabilidade.org.br 

 

 

 
 
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