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Artigo
Quando
o futuro vai ser notícia?
Por Rosa Alegria
Muito tem se falado na criação de um futuro desejado por
todos os que habitam o Planeta Terra.
A atual expansão do futuro como campo de estudo e
conhecimento é prova disso. Dentro dessa nova realidade,
a proposta essencial da atividade dos futuristas tem sido
manter ou aprimorar o bem estar da humanidade e a
capacidade de auto sustentação da sociedade, através de
uma constante exploração de alternativas. Adotando um
pensamento prospectivo, os futuristas trabalham para criar
novas imagens do futuro, explorando o possível, estudando
o provável e avaliando o preferível.
Pensar longe tornou-se uma necessidade estrutural às
sociedades em transição. É preferível planejar o
futuro a gerenciar crises, já que essas são caras e
traumáticas. Temos o exemplo de nossa recente crise energética
e de como ela poderia ter sido evitada se já tivesse sido
implantando um plano sistemático de futuro. Antecipar
eventualidades, preparar-se para as contingências,
explorar novas alternativas. Esses são os caminhos mais
saudáveis para lidarmos com as mudanças.
Até os políticos, que sempre manifestaram atitudes tão
egoístas em seus governos, e não se preocupavam com o
impacto de suas ações no futuro, já estão pensando a
respeito. Isso em razão da velocidade máxima imposta
pelas mudanças globais.
Nas empresas também existe o movimento pró-futuro,
principalmente naquelas que se alicerçam em inovações
tecnológicas. Planejamento estratégico de longo prazo,
desenvolvimento de cenários, estímulo à criação de idéias
inovadoras e a importância crescente de uma visão de
futuro é o que tem norteado muitas empresas com gestão
avançada.
E a mídia, como anda na relação com o futuro? Para a
infelicidade de quem aposta no que virá e quer se
divorciar do que já foi, o futuro ainda não é notícia
relevante em nenhum segmento da mídia. A notícia do novo
dá lugar à notícia da informação. E a informação
que nos chega normalmente nos traz o que já foi, sem o
pensamento prospectivo das possibilidades e das
alternativas.
O mundo urge por possibilidades e alternativas e não é
relatando o que já foi que a mídia vai ajudar na construção
do novo.
Para ajudar a construir o novo, é preciso que a mídia
transponha as fronteiras das projeções econômicas
apocalípticas, dos balanços financeiros amorfos, das
margens de lucro socialmente injustas. Existe um espaço
amplo para pautas que ajudem a imaginar e criar o futuro,
através da cobertura de tendências, da disseminação de
muitos e muitos mais dados de pesquisa, da disponibilidade
de indicadores que envolvam questões emergentes, como a
preservação do meio ambiente, os impactos da tecnologia
na população, os cenários possíveis que podem abalar
ou salvar o mundo.
Isso requer um novo campo de aprendizagem nas escolas de
comunicação e nos veículos como um todo . Apesar das rápidas
mudanças que nos afetam, muitos setores da mídia ainda vêem
o mundo através de filtros convencionais. O da exposição
da miséria, o do sensacionalismo, o do negativismo, o do
passado. Iniciativas como a Nova-E,
Mídia
da Paz e uma série de publicações
pessoais e títulos alternativos, poderiam proliferar
e ajudar a criar uma nova realidade no mundo da comunicação.
Que o futuro seja notícia e que estampe as manchetes do
dia, as capas de revista e as chamadas dos telejornais.
Quem sabe assim, antes que tarde, podemos provar que o
Stephen Zweig, quando disse há 50 anos atrás que o
Brasil era país do futuro, não estava tão errado assim.
Rosa Alegria, Futurista,
pesquisadora de tendências, vice-presidente do NEF - Núcleo
de Estudos do Futuro da PUC-SP www.nef.org.br,
diretora-presidente da Perspektiva, consultoria de
tendências, cenários e estratégias. www.perspektiva.com.br
e instrutora do Uniethos www.uniethos.org.br.
Coordenadora
do Movimento Mídia da Paz.
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