Artigo
O
milênio mulher
Por
Rosa Alegria
Desafios e
oportunidades para o futuro das empresas
Antes de celebrar o 8 de Março,
o Dia da Mulher, proponho que as empresas, ao observarem o
desenvolvimento da economia, incluam em suas estratégias
a importância da mulher no futuro. As tendências apontam
para um século 21 regido pelos valores femininos, com o
restabelecimento da sua atuação na sociedade.
De um passado norteado pela
dicotomia entre descaminhos e conquistas, a mulher
ressurge num futuro sinalizado por grandes oportunidades,
geradora de uma nova sociedade, mais harmônica, mais pacífica,
mais justa, mais humana, dentro da qual as organizações
empresariais estarão desempenhando um papel fundamental,
atuando cada vez mais fortemente como cidadãs e agentes
do desenvolvimento sustentável.
Valiosos indicadores tornam irrefutável essa nova condição
da mulher, e a sua valorização passa a ser um valor
estratégico no mercado de trabalho.
A crescente inserção feminina nas instituições de
ensino, na chefia da família ou na liderança comunitária
abrem excelentes oportunidades para que as empresas
planejem seus negócios diante desse recente contingente
de mão-de-obra.
A prática da valorização do gênero feminino, sob o
enfoque de se reconhecer a riqueza decorrente do
pluralismo e da diversidade no ambiente de trabalho, surge
como uma das respostas aos ajustes necessários para que
empresas permaneçam e liderem os cenários de
competitividade global.
De acordo com dados da Fundação Carlos Chagas, no período
de 1981 a 1998, o crescimento das mulheres economicamente
ativas no país foi de 111%, enquanto que dos homens o
crescimento foi de 40%.
Hoje, a parcela feminina representa 41% da população
economicamente ativa, com 30 milhões de mulheres no
mercado de trabalho. No setor educacional, a ascensão da
mulher revela-se na presença de 57% dentre os estudantes
do 2º grau e de ensino superior.
Mas entre as flores desse novo cenário, também existem
pedras e grandes desafios a serem vencidos. Ao entrar num
novo milênio, as mulheres irão enfrentar o aumento das
disparidades do poder econômico e do acesso aos serviços
de saúde. Por esta razão é preciso que se encontrem
caminhos que ampliem o acesso e garantam a igualdade de
direitos no que diz respeito ao cuidado da saúde. Numa
sociedade global na qual vivemos, as condições de vida,
de cultura e de trabalho deverão se integrar às condições
de saúde, resultando num quadro social norteado pela
igualdade e pela justiça.
A escritora americana Diane Mariechild tem uma inspirada
definição sobre os valores femininos: "Uma mulher
é um círculo pleno. Dentro dela está o poder de criar,
nutrir e transformar. Uma mulher sabe que nada flui sem a
iluminação. Vamos nos guiar pela voz e pelo coração da
mulher como um novo caminho para a transformação do
planeta".
Com a inspiração das Conferências de Beijing e do
Cairo, é revelada a verdadeira dimensão do que significa
perspectiva de gênero. Pela lente do "gênero",
as práticas educativas tão necessárias à assistência
devem reconstruir a sociedade. É através da educação
que as mulheres estarão habilitadas, por exemplo, para a
escolha do melhor método contraceptivo, para a participação
como agentes sociais e para melhor agir na preservação
da garantia de seus direitos.
Em Beijing, ano de 1995, durante sua apresentação
na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, a então
presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher,
Rosiska Darcy de Oliveira ressaltou: "a mulher que
emerge da Plataforma de Beijing é educada, sadia, escolhe
a família em que quer viver, assume a maternidade no
momento em que lhe parece conveniente, exerce-a com
responsabilidade, entendendo que na vida familiar se joga
também o destino do planeta, decide sobre sua sexualidade
e está protegida da violência. Esta mulher garante o seu
sustento e tem, no mundo econômico, os mesmos direitos e
oportunidades que os homens. Participa das decisões políticas
em igualdade de condições e pode, assim, assegurar que
seus espaços e seus direitos sejam respeitados".
Espera-se que as mulheres tenham direito a muitas escolhas
na sua próxima jornada, do novo século. Muitos apostam
na criação de uma nova ordem, a ordem evolucionária no
mundo feminino. Segundo a futurista americana Barbara Marx
Hubbard, a mulher está a caminho da transformação, mais
do que da reforma ou aprimoramento. "Somos uma geração
que veio numa época de mudanças sem precedentes no
planeta. Temos que parar com a superprodução, com a
poluição, temos que coordenar nossas vidas e nossas
tarefas num só corpo, lidarmos com nossos próprios prejuízos,
mudar de recursos não-recicláveis em recicláveis,
distribuir alimentos para todos, redesenhar sistemas
sociais falidos na educação, saúde, finanças e meio
ambiente. Somos a primeira geração da qual se espera a
tomada dessas imensas responsabilidades".
Essas mudanças, reconhecidas no mundo todo, colocaram a
mulher numa onda de reestruturação econômica movida
pela tecnologia da informação.
Em seu estudo "Os Futuros da Mulher - Cenários para
o século 21", Pamela McCorduck e Nancy Ramsey
apontam para um grandioso cenário: "com a tecnologia
da informação, as mulheres irão florescer. A nova
tecnologia vai nos dar a habilidade de trabalhar com
flexibilidade e nutrir nossas famílias enquanto
trabalhamos".
Os novos caminhos têm sido norteados por uma contundente
e fortalecida comunhão de forças e necessidades, que estão
fazendo surgir uma nova ordem mundial, na qual a sociedade
civil e as organizações empresariais estarão
protagonizando novos e decisivos papéis no palco da evolução
da mulher.
Rosa
Alegria - Saiba
mais
|